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  • Foto do escritorDakila News

Desvendando os microplásticos

Entre a versatilidade e o impacto ambiental, o plástico degradado em micro partículas vem impregnando todos os ambientes seja no solo, na água e até mesmo no ar.


 

O plástico é intrínseco no cotidiano da população, seja em garrafas PET, sacolas plásticas, produtos de higiene pessoal, ou até mesmo nas roupas. Por conta da leveza, durabilidade, versatilidade e baixo custo desse material, ele é encontrado praticamente em tudo que se possa imaginar.


Importante ressaltar, que quando se fala em plástico está incluso polímeros como o polietileno tereftalato (PET), polipropileto (PP), poliestireno (PS), poliuretano (PU), policloreto de vinila (PVC) e náilon (PA).


Apesar das diversas vantagens que esse material apresenta, o plástico vêm sendo um problema socio-ambiental principalmente quando em forma de microplástico.


Os microplásticos são detritos plásticos geralmente em forma de fibras, fragmentos e grânulos inferiores a 5mm. Eles podem ser produzidos dessa forma, tendo assim uma origem primária, ou ainda, serem fragmentados por meio de processos químicos e físicos tendo uma origem secundária.



As micro partículas de origem primárias são comuns em produtos de higiene pessoal como: cremes, géis e pastas esfoliantes, cosméticos e até mesmo em tecidos sintéticos como o poliéster. Enquanto os microplásticos de origem secundária podem surgir através da degradação de macro plásticos como por exemplo: através do atrito entre o pneu e o asfalto, na lavagem de roupas sintéticas e no uso de tintas plásticas (principalmente em carros e navios, que se desprendem através de intempéries do tempo).


As análises estatísticas do estudo “Production, use and fate of all plastics ever made” de 2017 mostram que a população mundial já gerou mais de 9 bilhões de toneladas de plástico desde 1950. Em termos comparativos, isso equivale a 25 mil Empire State Buildings ou 80 milhões de baleias azuis.


Por conta da grande poluição de plástico em corpos hídricos, os primeiros alertas sobre o assunto vieram de biólogos e ambientalistas preocupados com a fauna aquática. Sendo que a estimativa é que haja aproximadamente 75 milhões dessas partículas nos oceanos.


 

Esse fato, fez com que muitas pessoas deixassem de comer frutos do mar, já que esses estariam contaminados com microplásticos. Porém, pesquisadores já encontraram essas micro partículas nas águas, solos e até mesmo no ar.


Um estudo realizado pela Universidade de Plymouth no Reino Unido concluiu que as pessoas podem ingerir mais plástico simplesmente respirando do que comendo mexilhões por exemplo.


Entende-se que essas micro partículas estão por todos os lados, mas qual é o impacto disso na saúde humana e no meio ambiente?


Ainda não existe estudos que comprovem impactos negativos na saúde humana, porém sabe-se que eles podem ficar alojados em alguns órgãos e até mesmo na corrente sanguínea.



O professor Dick Vethaak de ecotoxicologia da Universidade Livre de Amsterdã, analisou sangue de doadores e não considera os resultados alarmantes, apesar de reconhecer que essas partículas não deveriam estar dentro de seres humanos.


Embora nenhum estudo confirme efeitos negativos aos organismos humanos, uma série de testes de laboratório em células humanas evidenciaram que os microplásticos podem causar reações alérgicas e morte celular.


O diretor médico da Associação Americana do Pulmão, Albert Rizzo, levanta uma série de questionamentos “Os plásticos estão simplesmente lá e inertes ou vão levar a uma resposta imune do corpo que levará a cicatrizes, fibrose ou câncer?”


Ainda assim, nada pode ser comprovado pois não houve estudos epidemiológicos em um grande grupo de pessoas relacionando a exposição ao microplástico com impactos à saúde.


Em contrapartida, todos os estudos compreendem que o plástico, por não ser biodegradável, permanecera na natureza por centenas de anos sendo cada vez mais degradado em partículas cada vez menores. Assim se tornando uma prioridade entender os impactos que isso pode causar nos seres humanos.


Focando nos impactos ambientais, podemos destacar os danos físicos à fauna aquática como por exemplo: asfixia, lesão em órgãos internos e bloqueio do trato gastrointestinal. Esse tópico foi muito debatido, principalmente com o impacto dos canudos plásticos nas tartarugas marinhas.



Outra característica preocupante dos microplásticos é o fato deles apresentarem grande absorção de compostos tóxicos como metais pesados. Esse fator impacta diretamente na cadeia alimentar, especialmente em ambientes marinhos, onde se encontra hidrocarbonetos e esses metais pesados.


Os zooplânctos acabam por ingerir essas partículas em suspensão e como eles fazem parte da base da cadeia, eles eventualmente serão consumidos por peixes que podem vir a ser alimento para os seres humanos. Isso pode gerar uma bioacumulação das toxinas acumuladas, fazendo com que o consumidor final absorva a maior concentração desses compostos.


 

Apesar dos microplásticos parecerem um bicho de sete cabeças, que não tem como escapar, existem algumas formas e evitar e reduzir a proliferação dessas partículas no mundo.


O primeiro passo e evitar o uso desenfreado do material, substituindo canudos e copos plásticos por materiais biodegradáveis e ou reutilizáveis como metal e vidro.


Além disso, o descarte correto do lixo urbano e industrial colabora para que esse material não fique abandonado na natureza se degradando cada vez mais.



Se possível dar preferência por produtos que não usem de embalagens plásticas, assim como cosméticos que não usem microesferas de plásticos em sua composição. Comprar tecidos de algodão ao em vez de poliéster também ajuda a mostrar ao mercado que a vontade da população por produtos sustentáveis.


Alguns países já começaram a implementar filtros de microplásticos nas máquinas de lavar roupa, para que essas partículas não caiam no esgoto. Alguns estudiosos, buscam técnicas de filtragem de água e tratamentos químicos inclusive por meio de ímãs.


Cientistas e pesquisadores também procuram fungos e bactérias que possam decompor o material, reduzindo a enorme quantidade já existente no planta. Dentre esses estudos, podemos destacar uma larva de besouro que pode se alimentar de poliestireno e os mexilhões que conseguem filtrar parte do microplástico ingerido.



Importante lembrar, que não existe confirmação de nenhum impacto negativo dos microplásticos na saúde humana. Ou seja, se você está preocupado com a sua saúde tenha primeiramente uma boa dieta, uma boa rotina, se exercite, se hidrate, porque antes de tudo devemos fortalecer nossa imunidade.

 

 

Referências:

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