top of page
  • Foto do escritorDakila News

Entenda o motivo de inúmeros protestos agrícolas realizados recentemente na Europa + De que forma isso afeta o Brasil

Atualizado: 21 de fev.

Os agricultores estão realizando protestos por toda a Europa, entupindo as ruas com os seus tratores, bloqueando portos e jogando ovos no Parlamento Europeu devido a uma longa lista de reclamações que vão desde a regulamentação ambiental até à burocracia excessiva.



Embora alguns dos protestos mais dramáticos tenham ocorrido na França, ações semelhantes têm acontecido em uma série de países, incluindo a Itália, Espanha, Romênia, Polônia, Grécia, Alemanha, Portugal e nos Países Baixos.

Agricultores bloqueiam estradas na França, esse foi um dos temas inicias abordados no programa: Legião Estrangeira da TV Cultura, pelo jornalista Alberto Gaspar no dia 31 de Janeiro.



A Jornalista Maria Paula Carvalho da Rádio França Internacional Paris introduz o assunto explicando que as manifestações, bloqueios que se espalham pela Alemanha, Romênia, França, Bélgica entre outros países possuem 3 motivos principais que estão movendo essas rebeliões rurais, são elas: A concorrência dos produtos importados, as rigorosas leis ambientais da União Europeia e o aumento do combustível diesel usado para tratores. De acordo com a jornalista o começo de tudo foi quando em Novembro de 2023 os jovens agricultores começaram a inverter as placas dos nomes das cidades das regiões agrícolas para mostrar que a política agrícola francesa estava de ponta cabeça, assim como os protestos realizados no leste europeu, incluindo a Polônia, a Romênia e a Bulgária, onde os agricultores manifestaram contra o impacto das importações baratas de cereais ucranianos, que estavam cortando os preços internos e afetando as vendas dos produtores locais no ano passado. Maria Paula pontua que atualmente tem-se 120 bloqueios de estradas, 12 mil agricultores nas ruas, 6 mil tratores fechando acessos de Paris como: Bourdeaux e Lyon. Com isso, o governo francês enviou 15 mil policiais para as ruas, afim de evitar os fechamentos de acessos nevrálgicos como aeroportos e a ponte de distribuição de Ronchin que é por onde passa todo o abastecimento de comida que chega até a França. Pontua também que a agricultura francesa é composta por pequenos proprietários muito mecanizados e modernos, onde os mesmos possuem um orgulho muito grande da agricultura assim como tem da aeronáutica.


Christiane Lambert, presidente da Copa-Cogeca, uma associação de fazendeiros da Europa, disse que houve protestos em 25 dos 27 estados europeus. Essa associação representa 10 milhões de agricultores em todo o bloco europeu.

"Em 2020 tivemos a crise da covid. Depois os preços da energia simplesmente explodiram – esses preços são muito importantes para a agropecuária", disse a suinocultora francesa a uma comissão do Parlamento Europeu. "Depois, a guerra da Rússia contra a Ucrânia também causou um certo número de dificuldades nos fluxos comerciais, assim como perturbações nos mercados quando se trata de aves, ovos, grãos, petróleo – tudo isso tem sido muito importante." A agricultura representa apenas 1,4% do PIB da União Europeia, mostram os números mais recentes, mas tem uma influência política descomunal – especialmente quando os tratores obstruem rotas vitais e as eleições para o Parlamento Europeu estão marcadas para maio.


"Sem fazendeiros, sem comida, sem futuro" O primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar garantiu que “não seria justo” que a União Europeia “impusesse” elevados requisitos ambientais aos produtores europeus e “depois permitisse que outros importassem” sem as mesmas obrigações. Os agricultores dizem que estão sobrecarregados com a burocracia e são injustamente penalizados à medida que a UE procura reduzir as emissões de carbono e avançar para um futuro "mais verde", conhecido como Acordo Verde. As mudanças climáticas estão agravando a situação de diferentes maneiras. Eventos climáticos extremos, como incêndios florestais e secas, estão afetando cada vez mais a produção.


Edifício do Parlamento Europeu em Bruxelas. 1 de Fevereiro de 2024.


A raiva também foi dirigida a Bruxelas por causa das metas ambientais da UE. Renaud Foucart, professor sênior de economia na Universidade de Lancaster, na Inglaterra, aponta o Acordo Verde Europeu como uma importante fonte de tensão. O acordo visa introduzir medidas que incluem um imposto sobre o carbono, proibições de pesticidas, restrições às emissões de nitrogênio e restrições ao uso da água e da terra.




Foucart diz que os agricultores estão tentando adiar as regulamentações do Acordo Verde durante o maior tempo possível. “Portanto, eles querem adiar ainda mais qualquer tentativa de taxar o carbono, qualquer tentativa de reduzir os pesticidas”.

Os protestos agrícolas já tiveram sucesso na anulação de alguns planos da UE, com a Comissão Europeia abandonando uma proposta para reduzir para metade o uso de pesticidas. O primeiro-ministro Gabriel Attal recebeu Arnaud Rousseau, presidente do FNSEA (Fédération nationale des syndicats d’exploitants agricoles), entidade que representa 22 federações regionais. “Queremos ações concretas” e “fartas”, foi o que explicou Rousseau ao microfone da France Inter, maior cadeia de rádio do país. Os agricultores querem a aplicação a 100% da lei EGAlim de 2021, que visa proteger a remuneração no campo. A presidente do BEI (Banco Europeu de Investimento), Nadia Calviño, sublinhou que “não podemos fechar os olhos” aos protestos dos agricultores europeus. Calviño destacou em uma entrevista à RNE, reportada pela Europa Press, que a Europa “está numa fase de transição”, na qual ela deve avançar “para uma economia mais sustentável, eficiente e com tecnologias que garantam a sobrevivência do planeta”.

Depois de ser questionada se está na hora de “olhar para trás ou de calibrar” sobre as consequências trazidas pelos compromissos com o futuro sustentável da UE, Calviño afirmou que “o desafio não é menor” e que “não podemos fechar os olhos a ele”. “Temos que gerir bem a transição”, afirmou Calviño, garantindo ao mesmo tempo que os agricultores sejam “protagonistas, porque o setor agroalimentar é fundamental para o abastecimento alimentar”. Embora a raiva relativa às políticas econômicas, regulamentares e verdes una muitos dos protestos, também existem queixas específicas de cada país. Os agricultores de todo o bloco dizem que os custos da energia, dos fertilizantes e dos transportes aumentaram, especialmente após a guerra da Rússia na Ucrânia. Além disso, os governos têm tentado reduzir o aumento dos preços dos alimentos em meio à inflação.



Os dados do Eurostat mostram que os preços que os agricultores obtêm pelos seus produtos agrícolas atingiram o pico em 2022, mas têm diminuído desde então – caindo quase 9%, em média, entre o terceiro trimestre de 2022 e o mesmo período de 2023. De que forma esses protestos podem afetar o Brasil? Josué Aragão (Economista, Professor e Empresário) publicou em seu canal do YouTube o seguinte vídeo: "CRISE DA EUROPA ESTÁ CHEGANDO NO BRASIL! PREPARE-SE" onde inicia com um desabafo na questão dos brasileiros precisarem aprender um pouco mais com os Europeus nessa questão de protestar pelos seus direitos: "Lá quando o político pisa na bola, a população da a resposta na hora, diferentemente do que acontece aqui no nosso país - imposto em cima de imposto, políticos fazendo o que querem, enquanto a população está totalmente anestesiada, esperando o final de semana para tomar uma cervejinha, comer um churrasquinho, ouvir um pagode, um funk..."

O Economista explica que o Brasil está diretamente envolvido nessa questão dos protestos por conta do acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Explica que no Brasil há muita terra para ser utilizada no agro e que na Europa é totalmente o contrário, onde tudo é muito exprimido o que faz com que a Europa desenvolva/crie acordos com outros países para que esses produzam os alimentos e levem os mesmos para a Europa.

Os cinco países com maior produtividade média anual, com destaque para a liderança do Brasil

Como funciona o acordo da União Europeia com o Mercosul: A U.E. vai abrir o seu mercado para os produtos da Mercosul, produtos esses que são commodities (grãos, minérios, petróleo...) + focados na parte de alimentos e dessa forma os países da América do Sul seriam os maiores beneficiados com isso por que iriam exportar mais os seus produtos. No entanto a outra parte do acordo descreve um série de restrições para o Brasil, como: não poder investir na indústria, onde qualquer produto industrializado que seja preciso o mesmo tenha que ser adquirido com a União Europeia.

Dados e informações do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostram um gráfico da participação da indústria no PIB do Brasil (1970 - 2022) onde é possível analisar que até meados de 1994 a indústria brasileira participava de 30% do PIB no entanto a partir de 1990 - 1995 começaram a ocorrer processos de desindustrialização do país, onde atualmente a participação da indústria no Brasil é de 15% do PIB. Logo foi perdido metade da capacidade de produção industrial por conta de uma série de desincentivos á industrialização, como esse proposto pela União Europeia.


"As simulações recentes dos impactos do acordo Mercosul-União Europeia realizadas em modelos de comércio tradicionais preveem ganhos modestos para o Brasil. A maioria dos estudos prevê aumento do PIB entre 0,20% e 0,45% no longo prazo. Ao se acrescentar tais efeitos, a tendência é piorar a avaliação dos ganhos de comércio do acordo para o Brasil. Considerando resultados da literatura baseada em modelos de equilíbrio geral com mudança estrutural e análises dos efeitos da liberalização dos anos 1990-1995, a entrada em vigor do acordo tende a aprofundar a desindustrialização da economia brasileira e pode gerar impactos adversos e de longa duração sobre o mercado de trabalho das regiões mais industrializadas do país." - IPEA

コメント


bottom of page