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  • Foto do escritorDakila News

O Brasil terá o único laboratório NB-4 acoplado a um acelerador de partículas do mundo

O acelerador de partículas, Sirius que está localizado em Campinas será acoplado ao primeiro laboratório de biossegurança NB-4 do Brasil, batizado de Órion.


Existem cerca de 30 mil aceleradores de partículas em operação no mundo, o Sirius começou a ser idealizado em 2003 e conseguiu sair do papel em 2014 iniciando suas operações em 2019. O seu objetivo é ser uma fonte de luz síncrotron, ou seja, uma onda eletromagnética similar à luz solar, sendo de grande intensidade e constituída de todos os tipos de luz.


Apesar de muitos associarem um acelerador de partículas com estudos de física pura e teórica, grande parte dos que existem pelo mundo apresentam funções mais aplicadas. Por exemplo, Sirius exibe a capacidade de atuar como um tomógrafo, que além da velocidade, possui um alcance de zoom que nenhum outro tipo de máquina no mundo exibe.


O zoom dessa ferramenta é capaz de executar registros fotográficos do interior das células e organelas como mitocôndrias e ribossomos.


O princípio do Sirius inicia-se no acelerador linear, que produz elétrons e estimula esses à uma velocidade beirando a da luz. Na sequência esses elétrons passam para o Booster, onde correrão em círculos, seguindo para um círculo de 518 metros de circunferência chamado de “anel de armazenamento”.


Durante as curvas proporcionadas pelo circuito, os elétrons liberam radiação que é o produto desejado. Essa radiação é também chamada de luz síncrotron. Sendo então, redirecionada em dutos para que possam atuar como aparelhos de raio x e tomografia produzindo inclusive imagens tridimensionais.


Entendendo o funcionamento do acelerador de partículas e suas ferramentas, pode-se ter uma noção do porquê acoplar essa máquina ao laboratório Órion.


O nível de biossegurança NB-4, é o mais alto que existe e o que menos se tem pelo mundo, no total existem 60 laboratórios com essa estrutura. Órion será o primeiro prédio com esse propósito do Brasil e da América Latina.


O prédio tem previsão de ser finalizado até 2026 e está sendo financiado pelo fundo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Além do laboratório NB-4, a construção também contará com escritórios, um biotério e laboratórios de níveis NB-1, NB-2 e NB-3.


A classe de risco 4 é considerada para alto risco individual e para a comunidade. Isso inclui agentes biológicos com grande poder de transmissão, principalmente os de transmissão desconhecida, e doenças que ainda não possuem medidas preventivas ou tratamento. Laboratórios com essa classificação estudam principalmente vírus, como por exemplo o da Ebola e o da Varíola.


Devido ao alto risco de contaminação que ocorrerá em tal laboratório, existem algumas especificações a serem atendidas. Primeiramente, como a transmissão de vírus ocorre comumente pelo ar, os laboratórios NB-4 e NB-3 são organizados com um sistema de ar-condicionado e ventilação que mantém um gradiente de pressão.


Além disso, é obrigatório que o prédio disponha de quatro andares, sendo um subterrâneo onde deve constar um tratamento de resíduos líquidos para a descontaminação de todo o esgoto do laboratório. O laboratório em si ficará no térreo e os demais andares deverão conter um maquinário próprio para filtrar o ar e manter o sistema de pressão sob controle.


Ademais nas dependências do NB-4, o EPI apropriado é similar aos trajes espaciais da Nasa, tendo uma pressão mais alta dentro do uniforme do que no ambiente. Prevendo uma maior segurança, é obrigatório seguir o protocolo de descontaminação passo a passo. Devido a isso, é de suma importância que os pesquisadores passem pelas instalações de treinamento, que já estão disponíveis no Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), também em Campinas.



Lembrando que, Órion estará acoplado ao acelerador de partículas Sirius, de onde sairão três feixes de luz que fornecerão níveis diferentes de resoluções. O primeiro, chamado de Sibipiruna permitirá uma visualização à nível celular. O Timbó, segundo feixe, terá capacidade de observar patógenos e seu comportamento dentro de organismos como um mosquito por exemplo. E por fim o terceiro feixe, chamado de Hibisco, fornecerá a observação detalhada de órgãos, auxiliando no acompanhamento de cobaias vivas.


O mais importante dessas inovações para o Brasil, é que ele não dependerá mais da infraestrutura de outras nações. Pesquisadores estimam que haja cerca de 600 mil vírus desconhecidos no país, através do Órion, esses poderão ser estudados nacionalmente gerando dados aplicados principalmente na biotecnologia. Ademais, o laboratório poderá dedicar uma atenção especial as doenças do hemisfério sul que são amplamente negligenciadas pelas grandes potências científicas.


Para mais informações sobre a luz síncrotron vejo os vídeos:


Referências:

Níveis de biossegurança e patógenos relacionados: PORTARIA Nº 2.349, DE 14 DE SETEMBRO DE 2017. - Imprensa Nacional (in.gov.br)

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