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  • Foto do escritorDakila News

Rita Lee Jones rainha do rock brasileiro morre aos 75 anos

Rita Lee, a estrela do Rock brasileiro, morreu aos 75 anos de idade na segunda-feira (8). A cantora tinha sido diagnosticada com câncer de pulmão em maio de 2021 e deixou três filhos, João Lee, Beto e Antônio, como o músico Roberto de Carvalho, seu grande parceiro de vida e na música.


Com 60 anos de carreira, Rita Lee conquistou seu espaço em diversos gêneros musicais, indo do rock à bossa nova através de sua forma única de cantar e de se expressar.

Uma das mais influentes mulheres brasileiras, a cantora sempre fez questão de lutar pelos direitos das mulheres e foi a primeira artista feminina a tocar guitarra em seus shows, um instrumento tachado como masculino.

Figura icônica nos anos 60, 70 e 80, auges do seu sucesso, Rita Lee foi extremamente importante nas inovações musicais que surgiram em todas essas décadas e foi uma grande referência por ter conseguido se reinventar inúmeras vezes na indústria da música.


BIOGRAFIA:

Rita Lee (1947-2023) foi uma cantora e compositora brasileira. Considerada uma das maiores representantes do Rock no Brasil ocupou um espaço único no universo da música popular brasileira.

Rita Lee Jones nasceu em São Paulo no dia 31 de dezembro de 1947. Filha do dentista Charles Fenley Jones, um imigrante americano, e da pianista italiana Romilda Pádua Jones.

#O nome (Lee) foi dado a ela e a suas irmãs pelo pai em homenagem ao general (Robert E. Lee) líder das tropas sulistas na Guerra Civil Americana/Guerra de Secessão .A cantora nasceu e passou grande parte de sua vida morando no bairro da Vila Mariana, localizado na Zona Sul de São Paulo.

Rita era poliglota (falava português, inglês, francês, italiano e castelhano) achava que seria médica, atriz ou dentista. Chegou a iniciar o curso de Comunicação Social na USP, em 1967, mas percebeu que não era aquilo que queria e acabou deixando o curso após o primeiro semestre.

Apesar de já ter tido contato com a música na infância (teve aulas de piano com Magdalena Tagliaferro, famosa pianista brasileira e francesa), Rita Lee só começou a se interessar pela carreira na sua adolescência, quando compôs sua primeira canção.

Rita tinha como influências musicais muitos nomes grandes, como Beatles, Elvis Presley, Carmen Miranda, João Gilberto e Maysa. Foi em 1963 que ela decidiu dar uma chance para a música, criando, com mais duas amigas, o trio Teenage Singers.

Depois de muitas mudanças, o trio feminino se juntou com o trio masculino Wooden Faces, formando o Six Sided Rockers, chegando a gravar duas músicas em estúdio.

Mais tarde, 3 integrantes do grupo saíram e sobrou apenas Rita, Arnaldo e Sérgio, que passaram a ser chamados de Os Mutantes.


CARREIRA EM GRUPO:

De acordo com o crítico musical Bernardo Araújo na entrevista do dia 09 de Maio de 2023 ao Jornal O Globo comenta: “Na música começou mais precisamente com (Os Mutantes) junto com os irmãos Sérgio dias e Arnaldo Baptista. Ela frequentava a família dos dois irmãos, que eram como professores pardais, além de serem muito ligados a tecnologias. Rita deu um lado ‘Porra louca” pra banda.”


Como vários outros artistas, Rita Lee também teve fases em que cantava em bandas.

Na época d’Os Mutantes, seis álbuns foram gravados.

Em 1967 a banda se destacou ao acompanhar o cantor Gilberto Gil na apresentação da música Domingo no Parque, que ficou em segundo lugar no III Festival da Música Popular Brasileira.

O grupo tornou-se um grande nome do rock de vanguarda da música brasileira. Participou do disco-manifesto Tropicália ou Panis et Circensis e dos discos de Gilberto Gil.

#TROPICÁLIA/TROPICALISMO: Se insere dentro do contexto pós-guerra, do desenvolvimento da indústria cultural e da introdução e consolidação dos meios de comunicação (rádio e televisão). Se destaca como um marco na arte brasileira, evidenciando discussões políticas e estéticas. O III Festival de Música Popular da TV Record de 1967, foi um dos eventos mais marcantes desse movimento. Um movimento cultural ocorrido no Brasil no final da década de 1960 que modificou o panorama cultural da época. Sob a inspiração da esfera pop local e da estrangeira, principalmente do pop-rock e do concretismo (movimento vanguardista que influenciou as artes literárias, musicais e figurativas). Foi uma renovada forma de agir e de participar do cenário cultural nacional, com ares críticos e transformadores. Algumas características desse movimento:

-Mistura de diferentes estilos (Rock psicodélico, cultura popular, música erudita, cultura brega etc)

-Inserção de gêneros musicais estrangeiros no país

-Rompeu com a arte militante existente durante a ditadura


Entre 1968 e 1972, Rita foi casada com Arnaldo Baptista, companheiro de banda. Após diversos conflitos, ela foi expulsa da banda pelo próprio ex-marido, gerando grandes discussões na época.

Mesmo assim, Rita não abaixou a cabeça e não abandonou seu sonho de ser uma cantora de sucesso.

Sua fase na banda Tutti Frutti

Rita Lee, Lúcia Turnbull, Sérgio Carlini e Lee Marcucci deram início à banda Tutti Frutti e lançaram o primeiro disco em 1974, chamado Atrás do Porto Tem Uma Cidade, no qual continha os famosos singles Menino Bonito, Mamãe Natureza e Ando Jururu.

Mas foi apenas com o segundo disco, Fruto Proibido, que a banda (e principalmente Rita) conquistou o público, com músicas que são referências até hoje no rock brasileiro — como Agora Só Falta Você, Ovelha Negra, Dançar Pra Não Dançar e Esse Tal de Roque Enrow, vendendo mais de 700 mil cópias no país e ganhando o certificado de platina duplo. No entanto a banda não se manteve por muito tempo.


Em 1977 Rita Lee conheceu o músico Roberto de Carvalho e iniciou uma parceria musical e amorosa.

Lançou Babilônia (1978) que fez sucesso com as músicas Miss Brasil 2000 e Disco Voador.

Nos anos 80 Rita Lee seguiu um caminho mais ligado ao Pop, criando canções populares e menos experimentais comparadas aos tempos da banda Os Mutantes.

A dupla fez grande sucesso dentro e fora do país, aderindo ao estilo de música pop e lançando o álbum Rita Lee, que ficou mais conhecido como Mania de Você, repleto de canções que foram aclamadas pelo público.

Doce Vampiro, Papai Me Empresta o Carro e Chega Mais são algumas das músicas que levaram Rita Lee, na época, a ser a maior cantora do Brasil. Em seguida, o segundo disco da dupla bateu recordes internacionais com a canção Lança Perfume, ficando em 7º lugar na parada da Billboard.

Com o passar dos anos, a dupla continuou lançando diversos álbuns com músicas que são hits nacionais, como, Cor de Rosa Choque e Desculpe o Auê. Em 1990, após lançar o álbum Rita Lee e Roberto

o casal decidiu que seria melhor se ambos seguissem carreira solo.


CARREIRA SOLO:

Após começar sua carreira solo, Rita seguiu com sua primeira turnê e, em 1993, lançou o disco Rita Lee, que tem uma pegada mais natural de rock.


Nos anos 90, seu maior sucesso foi o Acústico MTV. Na década seguinte, lançou o disco 3001 que fez sucesso com a música Erva Venenosa.

O CD Balacobaco, lançado em 2003, superou as expectativas de vendas e teve repercussão positiva junto à crítica. O CD foi indicado ao Grammy Latino na categoria de Melhor Disco Pop Contemporâneo.


Rita Lee, além dos inúmeros sucessos que compôs para seus discos, teve músicas gravadas por artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, João Gilberto, Elis Regina, entre muitos outros cantores.


APOSENTADORIA:

Depois de alguns anos sem gravar, em 2012, Rita Lee lançou o seu último álbum de estúdio, chamado Reza.

Depois de 2 anos, decidiu não pintar mais seu icônico cabelo de vermelho e começou a apostar nos fios grisalhos, o que marcou o fim de uma carreira inspiradora, repleta de obstáculos e vitórias.

Ao longo de sua trajetória, Rita Lee lançou 40 álbuns, sendo 34 em carreira solo e 6 junto com Os Mutantes.

Desde que se aposentou, Rita Lee evitou dar entrevistas, fez pouquíssimos shows e raramente apareceu nas redes sociais. Porém, além do talento para compor e cantar, ela sempre gostou muito de escrever (inclusive, é autora de vários livros infantis) e, em 2016, lançou a sua primeira autobiografia.

O livro conta detalhes dos bastidores de sua carreira e traz fotos incríveis de seu arquivo pessoal.

Rita lançou mais um livro em 2023, Rita Lee: outra autobiografia, onde contou detalhes de seu tratamento contra um câncer de pulmão, diagnosticado em Maio 2021 desde então se submeteu a um tratamento de imunoterapia e radioterapia. A doença chegou a entrar em remissão em 2022, mas infelizmente, a cantora se encontrava em um estado de saúde delicado. No dia 24 de fevereiro de 2023, Rita foi internada no Hospital Albert Einstein bastante debilitada, com um quadro de desnutrição. Aos poucos a doença foi se agravando.

Rita Lee faleceu em sua residência, em São Paulo, na noite do dia 08 de maio de 2023.


Dona de uma personalidade marcante, que encantou legiões durante sua carreira, Rita registrou o que imaginava do momento de sua morte em suas próprias palavras:

"Quando eu morrer, posso imaginar as palavras de carinho de quem me detesta. Algumas rádios tocarão minhas músicas sem cobrar jabá, colegas dirão que eu farei falta no mundo da música, quem sabe até deem meu nome para uma rua sem saída.

Os fãs, esses sinceros, empunharão capas dos meus discos e entoarão Ovelha Negra, as TVs já devem ter na manga um resumo da minha trajetória para exibir no telejornal do dia e uma notinha no obituário de algumas revistas há de sair. Nas redes virtuais, alguns dirão: ‘Ué, pensei que a veia já tivesse morrido, kkkk’.

Nenhum político se atreverá a comparecer a meu velório, uma vez que nunca compareci ao palanque de nenhum deles e me levantaria do caixão para vaiá-los. Enquanto isso, estarei eu de alma presente no céu tocando autoharp e cantando para Deus: ‘Thank you Lord, finally sedated’ (‘obrigada Senhor, finalmente sedada’). Epitáfio: “Ela nunca foi um bom exemplo, mas era gente boa."

Rita Lee fez história e contribuiu de forma única para a ascensão das mulheres na música brasileira, deixando sua marca e seu estilo singular como referência para milhares de artistas que vieram depois.


OUTRA BIOGRAFIA:

novo livro de Rita Lee, será lançado em 22 de maio. A cantora havia anunciado a nova obra sobre sua história em 7 de março, data em que disponibilizou o projeto para pré-venda.

"Outra Autobiografia" faz referência ao "Rita Lee: Uma autobiografia", lançado em 2016. A cantora havia escolhido a data de lançamento por ser o dia de santa Rita de Cássia.

Segundo Phantom, o "fantasminha" que dialoga com a cantora no primeiro livro, a nova obra da cantora "vai mexer profundamente com o leitor".

A foto escolhida para a capa do livro é de Guilherme Samora, que também é assessor da cantora, e foi pintada por Rita, ganhando cores mais fortes e vibrantes.

A equipe Dakila News deixa uma reflexão sobre a musa:

Partiu alguém especial, uma grande dimensional que marcou a vida de inúmeros brasileiros, uma mulher guerreira que não se rendeu ao machismo e patriarcado midiático da época. Uma alma cheia de luz, admirável. Rita trouxe clareza e autos questionamentos para quem ouvisse suas canções. Deixa a todos suas lindas memórias e uma profunda saudade. Descanse em paz.


Referências:






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