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Estudo Revela Risco de Terremotos Prejudiciais no Nordeste do Brasil nas Próximas Décadas

Atualizado: 18 de jun.

Um estudo intitulado "Probabilistic estimation of the source component of seismic hazard in North-Eastern Brazil" (Estimativa probabilística do componente de origem do risco sísmico no Nordeste do Brasil, em tradução livre) indica que há uma probabilidade relevante de ocorrerem terremotos prejudiciais na região Nordeste, nas próximas cinco décadas.


A pesquisa foi conduzida por José Augusto Silva da Fonsêca e Aderson Farias do Nascimento, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), e Stanislaw Lasocki, do Instituto de Geofísica da Academia Polonesa de Ciências, e publicada na revista científica Cell.


Os resultados foram alcançados através da análise de dados do catálogo da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) referentes ao período de 1990 a 2020, considerando quatro regiões que incluem diferentes municípios da região. Segundo o estudo, há um risco significativo dos estados nordestinos enfrentarem terremotos com magnitudes entre 4,7 e 5,1 na Escala Richter.

Infográfico relativo a Escala Richter representando a energia sísmica liberada por tremores de terra em forma de escala indo de 1 à 9

Os cálculos dos pesquisadores também indicam uma probabilidade de 50% dessa catástrofe ocorrer, afetando estruturas como casas e prédios. Além disso, há uma probabilidade de 10% de terremotos com magnitudes entre 5,5 e 6,2, que poderiam representar riscos para grandes obras civis, como barragens, parques eólicos, mineração, usinas hidrelétricas e nucleares.


Apesar da percepção de que o Brasil é um país livre de terremotos, ocorrem tremores quase toda semana. Somente no ano passado, o Laboratório Sismológico da UFRN registrou 182 tremores de terra na Bahia. Embora a maior parte do território brasileiro esteja situada na Região Continental Estável (SCR) da América do Sul, uma das menos sismicamente ativas do mundo, ainda podem acontecer tremores relativamente fortes.

Recorte da notícia publicada no jornal "OGlobo" no dia 23 de dezembro de 2023, com o título "Mais de 170 tremores de terra foram registrados na BA este ano; confira cidades com mais casos"

Os terremotos são causados pelo choque entre placas tectônicas. A litosfera do planeta é fragmentada em várias placas que flutuam sobre o manto terrestre. Quando essas placas se chocam, ocorre um terremoto. Apesar do Brasil estar sobre uma grande placa afastada das bordas, a placa sul-americana apresenta rachaduras e falhas em determinadas regiões. Como consequência do intenso movimento das placas, essas áreas podem acumular energia e liberá-la na forma de tremores.


Mapa representando e delimitando as placas tectônicas existentes no mundo


Esses tremores resultantes das rachaduras, geralmente são menores ficando entre 2 e 4 na escala Richter e, na maioria das vezes, não são sentidos pela população. No entanto, tremores maiores podem ocorrer. No início do ano, a região Norte registrou um tremor de 6,6 de magnitude, sendo esse o maior da história do país, mas sem danos registrados devido à profundidade do abalo.


Em junho de 2022, no município de Tarauacá no Acre, foi registrado um tremor de 6,5 graus, o segundo maior no Brasil, também sem vítimas ou danos materiais. Nos últimos 45 anos, quase cem abalos sísmicos ocorreram num raio de 250 quilômetros de Tarauacá, sem consequências graves. Isso ocorre devida a proximidade dessa região com a Cordilheira dos Andes, uma das zonas mais sismicamente ativas do planeta.


Posto isso, tremores de magnitude 5 são considerados eventos moderados e ocorrem com certa frequência no Nordeste, uma das regiões de maior atividade sísmica da Região Continental Estável da América do Sul. Aderson Farias do Nascimento ressalta que, embora não seja possível prever terremotos com precisão, as estatísticas podem ser úteis para prevenção desses eventos, investindo em estruturas duradouras, como pontes e barragens.


Nascimento ainda destaca que a preparação adequada pode mitigar as consequências. A exemplo disso, têm-se a situação atual do Rio Grande do Sul que ainda sofre repercussões das enchentes e alagamentos da região.


O Brasil não apresenta uma estrutura ou planos para o caso de desastres naturais, sendo que são eventos não corriqueiros no território nacional, porém quanto isso vêm custando para a população gaúcha? A situação do Rio Grande do Sul, deve ser levada como exemplo para que a população e os órgãos responsáveis municipais, estaduais e federais, atuem na elaboração de prevenção e conscientização de tais eventos no país.


Essa preparação envolve monitoramento constante, uma defesa civil bem estruturada, assessoramento do poder público, planos de contingência, códigos de obras e educação. "É uma questão de mudança cultural", afirma Nascimento, enfatizando a importância de uma sociedade preparada para essas ameaças.



Referências:






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